A bomba… Hiroshima

Final da viagem se aproximando e o que eu menos tenho conseguido fazer e escrever. Quero curtir os ultimos momentos aqui, mas ta batendo uma tristeza grande. Desculpe amigos e familiares, mas to bem aqui…  Vamos continuar a jornada pelo blog, pelo menos para terminar a saga Railpass.

07-11
Para variar, quando cheguei em Kyoto na noite anterior foi so para descarregar as malas, lavar um pouco de roupa, arrumar as coisas para acordar bem cedo e ir para o proximo destino. So eu sei o que tive que fazer para voltar e ir ate Hiroshima, mas tinha certeza que Hiroshima era um lugar que visitaria no Japao. As duas cidades que quando voce comenta para um japones, todos elogiam sao: Kyoto e Hiroshima.

Shinkansen ja nao era mais novidade alguma (estava ate enjoado ja), mas Hiroshima reervaria um novo meio de transporte. Cheguei completamente perdido la, queria ir para o A-dome (原爆ドーム), mas achei que dava ir pra JR, ja tava quase tromando um trem na Hiroshima Eki (広島駅) quando resolvi perguntar para o condutor e eu estava errado. Teria que tomar um tipo de bonde baratinho interno em Hiroshima, muito bizarro por sinal. E m trenzinho no meio da rua, se misturando com carros, uma zona.  Nao sabia como utilizar, mas tinha um manual de instrucoes la perto. Achei tudo muito estranho, maquinas de cobranca fora do bonde, uma muvuca de pessoas, bondinhos no mesmo lugar, so sei que entrei no bonde com uma tonelada de criancas, aparentemente todas indo para o mesmo lugar que eu.

Para descer do tal bonde foi um sufoco, aquela gcriancada toda me olhando, desci no meio da excursao, parecia um dos alunos. Sai do bondinho meio perdido, mas o A-dome era ali do lado, e sempre dificil viajar sozinho, mas otimo porque voce nao precisa se preocupar em errar ou nao, se der problema voce mesmo paga por isso. Bom, o primeiro choque (serao varios) foi o tal do A-dome, predio simbolo do fatidico 6 de agosto de 1945. A bomba explodiu aproximadamente 600 metros acima e 160 metros de distancia do A-dome. O efeito deste absurdo human toma proporcoes ainda maiores quando voce tem a oportunidade de pisar no local que passou por isto. Olhando em volta daquelas ruinas do A-domu, tudo o que voce pode ver sao paisagens exuberantes com rio, passaros e muita natureza. Fazer um giro 360 ali naquele lugar e uma coisa de louco pois seu cerebro sofre um choque ao captar o contraste.

Depois de muito observar as ruinas, resolvi ir conhecer outros lugares ali perto. Hiroshima e um lugar extremamente bonito, mas um detalhe deixava tudo mais cativante: as criancas. Assim como a minha amiga Maya falou no blog dela, as criancas japonesas tem uma coisa diferente das demais criancas, uma pureza e o espirito de ser crianca. Varias sao tao ingenuas que passam ate por bobinhas, nao tem nada daqueles nao-me-toques caracteristicos de algumas pessoas mais velhas, muito pelo contrario, o comum e elas arriscarem um “Haaro” (Hello) para o gringo (que em japones tem o mesmo significado que americano). Como eu nao gosto de ser confundido com um americano, eu respondo em japones para algumas delas que comecam a ter surtos histericos gritando “Ele fala japones!” (日本語しゃべれる) e apontando em minha direcao para os colegas. Um desses garotos com surto histerico foi quase minha companhia durante o dia, encontrei com ele umas 4 vezes e ele sempre vinha falar comigo, uma figurinha.

Todas as construcoes em volta do A-dome sao relacionadas a paz, alias, a historia dos mil tsurus (dobraduras de cisne em papel) vem de hiroshima no periodo apos bomba. Existe uma estatua em homenagem a menina Sadako e seus Tsurus. A historia (veridica) e que essa Sadako sobreviveu a bomba, mas provavelmente pelos efeitos posteriores do ataque, ele tenha adquirido leucemia e ao inves de despirocar com a noticia,comecou a fazer tsurus de tamanhos cada vez menores. Ela acredtava que chegaria aos 1000 tsurus e sua doenca seria curada, mas ela acabou nao resistindo a doenca e faleceu antes de concretizar sua vontade. Seus colegas de classe se uniram para fabricar mais tsurus e entao finalmente chegar aos 1000 que ela tanto desejava. Hoje em dia, a paz dessa menina e seus tsurus ficaram bem famosos e muita gente faz as dobraduras para alcancar algum desejo ou em forma de agradecimento.

Essa historia da Sadako e tao forte que no local da estatua em sua homenagem, eu pude ver um monte de escolas esperando para fazerem homenagens a menina, levando ornamentos com mil tsurus para deixar em uma das cabines com centenas de outros enfeites, todos com mil tsurus cada. Foi lindo ver as criancas agradecendo, colocando flores aos pes da estatua, alguns adultos e professores choravam vendo as homenagens, foi uma cena dificil de descrever aqui no blog, da vontade ate de sair fazendo tsurus. Ainda bem que eu estava ali no meio quando a escola chegou, pude apreciar tudo de pertinho e tirei muitas fotos.

Sai da estatua da Sadako e ao comecar a andar em direcao a “Chama da Paz” (que ficara queimando enquanto ouverem bombas atomicas no mundo), mais uma coisa fora do comum estava para acontecer. Fui abordado por um grupo de 4 criancas que tentavam falar com um pessimo ingles o que haviam decorado na escola. Eles se apresentaram, mostraram onde era a escola delas num mapa e queriam saber de onde eu vim. Falavam tudo isso em revezamento e pareciam robozinhos que decoraram o texto. Tentei entrar no clima e falar um pouco de ingles com ela, mas elas nao entendiam entao mudei para o “japones mode” e perguntei de onde elas achavam que eu tinha vindo. Pergunta com resposta obvia, Estados Unidos. Falei que nao, ai um outro menino arriscou “Kenya”. Eu nao aguentei e comecei a rir, depois falei que era do Brasil e eles marcaram no mapa que falaram com um brasileiro. Pude perceber que eu tinha sido a primeira pessoa da america do sul que eles tinham conversado. Tiramos fotos, eles pediram por paz e me deram um Tsuru de presente junto com um manual ensinando como fazer, foi muito kawaii.

Hiroshima ja estava sendo um dos meus melhores dias no Japao e nem tinha chegado nem a metade ainda. Vi a tal chama que estava quase invisivel pois o dia estava muito claro e ela e azulada, e segui para o proximo ponto: uma praca da paz. A vista por dentro do arco revela uma cidade linda que esbanja natureza, mas bem no centro la no horizonte da pra ver as ruinas do A-dome, o contraste vem a tona em todos os lugares de Hiroshima, uma mistura de felicidade e tristeza, sensacao unica.

O ultimo lugar que eu realmente queria visitar era o Museu da Bomba, localizado atras da Praca da Paz. O custo para a visitacaoe apenas 50 Yen (1 real), cheguei a conclusao que esse preco e para noa haver razao para alguem ir ate hiroshima e deixar de entrar no museu, e incrivel. Depois de ver os belos parques de Hiroshima, entrar ali e ver a historia de todos os acontecimentos antes e depois da bomba chega a ser revoltante, ao mesmo tempo que me orgulha ver como os japoneses conseguiram dar um jeito de reconstruir tudo e deixar da forma que esta hoje. Sejamos claros, essa bomba foi uma crueldade sem tamanho, o museu nao e para pessoas fracas, muitas cenas fortes com pessoas derretendo, sofrendo de diversos efeitos escabrosos da bomba. Alguns dos destauqes do museu sao as maquetes que mostram hiroshima antes e depois da bomba, cartas oficiais americanas discutindo sobre a criacao e utilizacao da bomba. O fato e que as bombas atomicas seriam aplicadas na Alemanha, mas os Americanos temiam o troco dos alemaes e acabaram utilizando no lugar mais distante que dificultaria o contra-ataque. Dentre as cidades japonesas que seriam potencias alvos para as bombas estavam Tokyo, Yokohama, Nagoya, Kobe, Kokura, Fukuoka e ate mesmo minha querida Kyoto.

No entanto, o plano final para as bombas era atacar em ordem: Hiroshima, Kokura e por fim Nagasaki. Cartas de sucesso da operacao em Hiroshima, transcricoes das conversas de radio do piloto que soltou a bomba e outras coisas estao todas la para “apreciacao”. Tudo no museu faz pensar, o relogio destruido marcando a hora exata da bomba, sombra de um homem que estava sentado numa escadaria e as historias tragicas relacionadas aos efeitos da bomba. Acho que se eu fosse japones, teria um sentimento horrivel com relacao aos USA. Nao que os japoneses sejam santos, longe disso, mas creio que uma bomba como essa seja algo que nao tem comparacao com outras coisas. 

Outra coisa que me chamou muita atencao no museu foi um painel enorme com cartas de todos os prefeitos de Hiroshima pedindo a suspensao dos projetos para criacao de armas nucleares a comandantes de diversos paises que estejam fazendo tal ato. O painel conta com uma infinidade de cartas, todas escritas em ingles e japones. Da pra passar muito tempo la so lendo e vendo esse tipo de coisa. Para finalizar, as imagens da maquete deixam claro o efeito de tudo isso, que para quem visitou Hiroshima nos dias de hoje, fica ainda mais chocante.

Sai do museu com a alma lavada, consegui entender um pouco mais sobre esse importante fato historico, e diferente ler e estar no lugar para sentir. Ainda tinha um cerot empo em Hiroshima, resolvi me reestabelecer vendo a bela Hiroshima de hoje e resolvi ir ver o estadio o o castelo de hiroshima (広島城). No caminho de volta, passei de novo pelo A-dome e cheguei na avenida do bonde. Decidi procurar uma loja de CD para comprar o novo single do w-inds. (Beautiful Life) que estava sendo lancado justamente nesse dia. Achei numa loja chamada Deodeo, comprei e sai todo feliz por conseguir um single no dia do lancamento, ja estava viciado na musica.

O estadio nao tinha nada demais para ver, entao decidi ir reto para o castelo. Quer dizer, nao tao reto assim, eu me irritei muito para conseguir chegar no castelo. Conseguia ve-lo do outro lado da avenida, mas ao tinha lugar para atravessar, andei feito um otario ate ver que existia uma passagem subterranea que obviamente me levou a ficar perdido e sair no lugar errado. Depois de muito esforco, cheguei na entrada do castelo, muitas flores e um jardim legalzinho. Nada comparado aos ja visitados castelo de Osaka e Nagoya, mas tudo bem, estava ali mesmo.

Nao tinha muito tempo para a visitacao, entao me aprecei para ver o museu no interior do castelo ate chegar no topo, semelhante a todos os outros castelos, mas bem mais vazio devido a nao tao popularidade do lugar. Aproveitei que estava quase sozinho no topo do castelo para sentar, ver o cd que tinha comprado e me preparar para voltar. Foi bem relaxante pelo menos depois de tanto stress e emocao em Hiroshima. No caminho ce volta para o bondinho, uma valhina japonesa vaio me pedir informacao, EM JAPONES. Alguem pode me dizer o que leva uma pessoa japonesa a pedir informacao em japones para um gringao como eu? Fiquei tao assustado com isso que tive ate dificuldade de entender o que a senhorinha dizia. Eu achei que ela estava perguntando se o castelo ficava naquela direcao, respondi que sim. Depois que caiu minha ficha que ela queria saber se tinha saida naquela direcao, e a resposta era NAO. Tadinha, devo ter feito a velhinha empurrar seu carrinho por mais um bom tempo, fiquei com um peso na consciencia enorme depois deste fato.

Acabei chegando na Hiroshima Eki quase uma hora antes do meu Shinkansen, entao resolvi comer algo, estava faminto. Fui andando ali por perto e achei um tipo de galeria com varias ljas de comida, eu parei para comer o tipico Okonomiyakisoba de Hiroshima. O local escolhido era comandado apenas por mulheres, todas muito confusas ao atender, pareciam que estavam brincando de telefone sem fio na minuscula cozinha, foi muito divertido. Mas todas elas eram muito simpaticas comigo e me recomendaram umokonomiyaki que nao hesitei em pedir. Alias, acho engracado que quando voce pede recomendacao para algum japones, ele sempre te responde o mais tradicional, no Brasil eles sempre recomendam o mais caro.

Enquanto eu devorava meu Okonomiyaki, uma das mulheres estava fazendo um Okonomiyaki com Kaki (um tipo de marisco) para tirar fotos que iriam para o menu. O fotografo ficou la do meu lado batendo inumeras imagens. Corta daki, mostra o kaki dali, foi um entretenimento enquanto comia. Mas o melhor estava por vir, depois que as fotos acabaram, a dona resolveu me dar um pedaco daquele okonomiyaki de foto para comer. Uma delicia, adoro Kaki. Conversa vai, conversa vem, eu acabei ganhando a dimpatia das donas que antes de eu ir embora me derammexiricas para comer no trem. Tudo isso pelo preco de um okonomiyaki, negocio da china, ops, japao!

O meu shinkansen (de novo) pararia em Shin-Osaka (新大阪) para fazer baldeacao ate Nagoya (名古屋). O milagre aconteceu, em Shin-Osaka estava la eu esperando o outro trem jogando DS quando de repente olho no relogio e faltava apenas uns 2 minutos para meu trem sair. Sai correndo feito um louco e depois reparei que nada tinha mudado a plataforma que estava, o mesmo trem estava ali faz tempo. Achei que tinham trocado de plataforma, fui olhar no painel principal da estacao e eu estava na plataforma certa, porem nada de trem. Resultado do fato e que meu trem atrasou uns 40 minutos… CAOS FERROVIARIO. Estava muita muvuca ali na plataforma do Shinakansen.

Depois de uns dias vim a descobrir que o motivo do caos ferroviario e que uma mulher teria se matado na linha do Shinkansen em Kyoto. Justo em Kyoto! Tai algo que nunca tinha passado pela minha cabeca, atrasar trem por causa de suicidio. Pior e que parece que a familia da suicida idiota tem que arcar com todas as despesas do suicidio. Imagina so o prejuizo que nao deve ser um suicidio desses numa linha importante do Shinkansen. Quer se matar? Se mata, mas nao atrapalha a vida dos outros.

Chegando em Nagoya, fui direto encontrar com o Clayton num restaurante perto da casa dele. Comemos e voltamos para a casa dele onde pude rever as 2 meninas que tinha conhecido na minha primeira parada la. Elas sao muito legais, fiquei zoando uma delas e depois fui dormir, estava esgotado.

PS: hoje acho que foi o maior post de todos, tive que me conter para nao contar mais de Hiroshima, visita obrigatoria para todos que pisarem no Japao.

Fotos:
A-dome e criancas Homenagem a Sadako Criancas que me abordaram Vista da Praca da Paz Antes Depois Beautiful Life

~ por mrgamewatch em 2007, Dezembro 1.

9 Respostas to “A bomba… Hiroshima”

  1. Hiroshima tinha duas opções depois da guerra:
    - Fazer um museu da paz,
    - Fazer um museu do ódio. (obviamente estou falando em sentido figurado)

    Seguir pela segunda talvez fosse mais fácil, mais natural. Mas seria mais altruísta e humanista como a segunda.

    O Japão nem é um país católico, mas “ofereceu a outra face”.

  2. eu amo museus, sempre quis ir no de hiroshima…. eu curto mto ler e ver sobre esse tipo de tragedia, pq fica guardado sempre na sua cabeca!
    e concordo mto com o clayton!

  3. Tatao,
    na verdade a bomba não ficou pronta a tempo de ser jogada na Europa, pois a Alemanha se rendeu aprox. tres meses antes…
    Mas os japoneses estavam dispostos a manter uma guerra obstinada (e sem nenhuma chance de ganhar naquela altura), o que acabou por decidir o uso da primeira bomba em Hiroshima…

  4. Essa foto do antes e do depois deixa a gente impressionada, sei que hj o lugar é muito bonito mas aquela coisa de saber que ai foi jogada a bomba realmente fica na cabeça da gente. Que bom que vc foi conhecer esse lugar.
    Adorei as crianças.

  5. Santo Deus, como perdi seus posts…

    Esse foi inspirador. Eu tenho muita vontade de conhecer essas cidades destruídas pelas bombas.
    Não para ver a desgraça, mas para sentir um pouco da alma curada desses lugares.

    Como esses seus relatos são quase poéticos. São de uma sensibilidade tamanha. Adorariar conversar com essas crianças e tentaria ajudar essa velhinha mesmo não falando japonês.

    Por que será que o Túmulo dos Vaga-lumes me vem à cabeça?

  6. [...] meu período de viagem pelo Japão (veja a seção Japão) e mais precisamente neste dia estava em Hiroshima e obviamente fui comprá-lo lá. Só por esta razão, Beautiful Life já é uma das músicas mais [...]

  7. o minha professora me comtou essa hitoria isso me deichou comovida pois ela fez agente fazer um resumo de sua historia quiria que vc estivesse viva lais 17/08/2008

  8. [...] 1) – 27 – Hokkaido: Wonderland (Sapporo 2) – 28 – Veneza Japonesa: Otaru – 29 – Volta para casa – 30 – A bomba… Hiroshima – 31 – Coming soon… 32 – Coming Soon… 33 – Coming Soon… … XX – Até breve [...]

  9. bonita historia de Hiroshima
    gostei de mais
    junior 7serie

Deixe uma resposta