Kyoto – Camelando

Aviso: perguntas relacionadas ao japao podem ser feitas neste blog por qualquer um, mesmo quem nao me conheca, tentarei responder.

17-10

Comeco ja pensando que esse sera o maior post de todos. Foi o dia mais cansativo de todos tambem e provavelmente o que eu mais fui em lugares diferentes, nao consigo nem lembrar os nomes direito, vou ter que usar um guia.

Antes mesmo das 10:30 da manha eu ja estava na Kitaoji Eki (北大路駅) para esperar o Naoyuki na catraca (ele matou aula para a gente poder sair). Comecou a dar 10:35 e pensei “japones nao atrasa, deve ter outra catraca”. Bingo! Ele ja estava me esperando em outra catraca, ai para ele nao pensar que eu tinha atrasado (e de fato nao atrasei), expliquei sobre as 2 catracas. Fomos direto para o terminal de onibus e compramos o passe de 1 dia. Esperamos o busao e fomos para o nosso primeiro destino: Gion.

Para quem nao conhece, Gion e famoso por ter a cara de Kyoto, ruas estreitas e e abrigo de muitas casas de gueixas e Maikos (aprendizes de gueixa), alem de logicamente, abrigar o Gion Matsuri. Logo de cara eu adorei, o Naoyuki deve ter achado que eu era um doido, me empolgava em cada vielinha e tirava fotos. No caminho pudemos ver uma cena que ele disse ser bem rara, uma Maiko andando por la ja que nao era um horario muito movimentado. Lembro que depois que ela passou disse que eu tinha lido que era extremamente raro ver uma Maiko, e ele confirmou dizendo que foi a primeira vez que tinha visto. Se eu soubesse que era TAO dificil assim, tinha tirado fotos dela… ;_;

Gion foi lindo, mas eu ainda vou voltar la, entao decidimos ir para o proximo ponto ao inves de gastar mais tempo por la, seguimos ara Yasaka-jinja (八坂神社). Esse templo e o local onde ocorre o Gion Matsuri e no ano novo muitas pessoas vao la pegar uma brasa e levam para suas casas. Muito interessante pois ja tinha lido sobre isso, mas nao sabia que era la. Eu e o Naoyuki aproveitamos para jogar nossas moedinhas de 5 yens e fazer oracoes apos badalar um tipo de sineta e batar palmas 2 vezes. Deixamos o jinja pelo Maruyama-kouen (円山公園) ate o Chion-in (知恩院).

Logo ao primeiro olhar, fiquei assustado com a imponencia deste templo budista com mais de 24 metros de altura. Queria muito subir la em cima, mas uma placa proibitiva estava la marcando seu lugar, confesso que fiquei um pouco deprimido, mas foi por pouco tempo, atras da gigantesca construcao, havia uma escadaria que na minha cabeca seria ideal para uma foto. Deixei o Naoyuki na parte de baixo para tirar uma foto bem de longe, mas ele usou zoom, entao expliquei para ele que era sem zoom que queria. O Naoyuki me explicou que este templo e especialmente importante para a familia dele, pois e da mesma subdivisao do budismo (se e que isso existe). Para subir as escadas que levam ate a parte principal do templo, e necessario pegar um saquinho plastico numa caixa para tirar o tenis e entao entrar. La dentro, um cara fazia um cantico surround sound, tocava um sino e pessoas rezavam, bem espiritualizado. Vale ressaltar que um casal estava mais perto do que os outros dos altares, o Naoyuki nao soube me explicar muito bem a razao, mas parece que custa uma nota e de acordo com ele, o cantico era para o casal.  Haja folego para ficar cantando de joelhos o dia todo. O Naoyuki aproveitou e tambem e sentou sobre os joelhos e deu uma rezadinha, eu ate tentei, mas nao consigo ficar de joelhos daquele jeito, entao fomos embora. hehe

Estavamos pensando em parar para almocar depois disso tudo, mas seria desperdicio de tempo, entao seguimos caminho. Andamos bastante, vimos umas tubulacoes que traz a agua de Shiga para Kyoto, parece que aquela agua vem do Biwako (琵琶湖). Seguindo as tubulacoes fomos parar no Nanzen-ji senao me engano e la escolhemos entre um jardim verde e um jardim de pedras. Preferi o jardim de pedras, entao entramos no Nanzen-Ji no mesmo esquema de colocar o tenis no saco plastico. Eu gostei muito do Ninna-ji e por isso queria ver de novo o desenho de pedras no chao. O Nanzen-ji e um pouco menos impressionante que o Ninna-ji e tinha ate gente trabalhando. Ainda assim era tao calmo que um cara que tava do meu lado deitou e quase puxou um ronquinho. Vimos uma madeira utilizada para fazer Shodo e outras coisas. Mas antes de deixar o local por completo, decidimos participar da cerimonia do cha pelo preco de 500 yens.

WOW! Como eu gostei disso, tudo perfeito. Voce entra numa sala com tatame e um tipo de tapete vermelho para sentar, ao fundo da sala pouco iluminada, um jardim com uma cachoeira davam o tom e o som para o que viria a seguir. Uma mulher vestida com roupas tradicionais entrou na sala, pediu para que escolhessemos o lugar e entao sentamos. Ela trouxe os dois potinhos de cha e um doce cuidadosamente embrulhado para cada um. Voce agradece, ouve as explicacoes e depois repete como ela ensinou, primeiro comer o doce e depois beber o cha. O doce e possui um escrito em cima e a massa e feita de po de soja com o recheio de doce de feijao azuki, foi um dos melhores gostos que senti aqui no japao ate agora. O cha cremoso e vividamente verde da o toque final e arrebatar o sabor ao som daquela cachoeira, foi perfeito. Vale 500 yens tranquilamente e vou procurar muito esse doce para comprar, mas o Naoyuki ja me adiantou que e bem caro.

Muito cansativo o texto? O dia esta chegando na metade. hehehe! Bom, saindo de la, ainda tinhamos o Heian-jinguu (平安神宮). Deviamos ter ido antes nele, acabamos dando uma volta a toa, mas nao teve problema, no caminho ate ele vi 2 galerias de arte e uma biblioteca que pretendo voltar outro dia. O Heian tem um dos maiores Toriis do Japao e estava repleto de gente. Foi construido com uma certa semelhanca ao Palacio Imperial (vou la depois) e seguindo o estilo chines. E bem espacoso e e o local onde ocorre o Jidai Matsuri, dia 22 de outubro (espero estar la). 

A proxima parada, nao seria bem uma parada, mas uma andada. O Caminho do Filosofo e uma passagem de pedra que liga a proximo ao Eikan-dou (永観堂) e leva ate os pes do pavilhao de prata, Ginkaku-ji (銀閣寺). O caminho e bem bonito, cercado por natureza e varias lojinhas de artesanato. Mas as pecas feitas a mao nao sao as unicas manifestacoes artisticas presentes por aqui, durante o caminho vi diversas pessoas sentadas com um quadro em frente aos seus olhos para tentar retratar a beleza da paisagem, tarefa dificil essa.

No caminho ate o Ginkaku-ji, tomei um sorvete triplo com 2 sabores de chas diferentes e um de uma especie de batata doce, que por incrivel que pareca, foi meu favorito. O monte de turistas ja era sinal de proximidade com o templo, mas nos nao tinhamos tempo para esse pavilhao agora. Tinhamos decidido no meio do dia que fariamos uma coisa extremamente cansativa, mas estava decidido e entao seguimos para o Daimonji (大文字), que talvez seja o simbolo do Gozan Okuribi, evento que acontece todo 16 de Agosto quando e colocada fogo nos 5 grandes kanjis que tem escritos nas montanhas ao redor da cidade e da para ve-los de praticamente toda a cidade. Eu quero muito voltar a Kyoto em agosto para acompanhar este evento, mas vai ficar para a proxima, por enquanto faco aquilo que posso fazer, ou nem tanto, escalar ate o Daimon-ji foi uma boa ideia, mas sofrida.

Depois de um dia todo carregando uma mochila nas costas, sem parar para descansar e comendo apenas sorvete, amendoins e doce da cerimonia do cha, passar 45 minustos subindo degraus irregulares em uma montanha podia ser meio arriscado. Dito e feito, o Naoyuki acostumado a ficar sem comer e magro como so ele, estava la todo bem e eu comecei a ficar meio mal, acho que era o estomago vazio, pois comecei a ver pontinhos pretos em minha visao. Mas nada disso me abalou, parei um pouco para descansar e segui caminho montana a cima.

Sorte nossa que tinha um tipo de agua potavel no meio do caminho, muito boa por sinal, mas mesmo com ela, ainda ficava com sede. Quando pensei que ja tinhamos chegado, me deparo com uma escadaria de verdade daquelas que os olhos nao conseguem ver o fim e logo pensei “e hoje que eu morro nesse pais” hahaha. Retomei o ar e fomos, impressionante ver a quantidade de japas treinando subir aquilo correndo, eu nunca conseguiria, mas eles chegavam acabadoes no topo. Finalmente, depois dos 45 min, estavamos em cima do gigantesco kanji de dai “大” estampado em uma das montanhas de Kyoto. Dava pra ver toda a cidade e o por do sol estava acontecendo, timing perfeito. Fiquei feliz por nao ter dado mais uma volta em Gion, ter escolhido apenas um jardim e por nao ter almocado, mais alguns minutos de atraso e nada de conseguir ver o por-do-sol. Como ja estou a um tempo aqui, comecei a reconhecer os lugares la de cima. Mas nao podiamos ficar muito tempo, o caminho e totalmente nao iluminado e nao tinhamos nenhuma fonte de luz a nao ser o DS, entao fomos descendo. Fiquei impressionado que durante a escalada, todo mundo se cumprimenta, parece que todo mundo e simpatico. Na descida parei para beber agua novamente, tinha uma senhorinha la recolhendo agua, ela ficou conversando e dando risadas carismaticas. Aposto que foi para reativar o nosso espirito.

Ja era noite, fomos para um ponto de onibus apos andar mais um pouco (so para nao perder o costume) e entao ficamos decidindo o que iamos finalmente comer. Eu dei a entender que estava curioso para experimentar Shabu-Shabu, o Naoyuki disse que tambem poderia ser Yakiniku. Como eu nunca fui em nenhum dos 2 tipos de estabelecimento e o importante era ser “coma a vontade” (tabehoudai), tiramos a duvida de onde iriamos do jeito que sempre fazemos a muito tempo, jogando jo-ken-po. Shabu-shabu foi o vitorioso.

Voltamos para o primeiro lugar que visitamos e fomos num restaurante la mesmo, no 9 andar de um predio. Tinhamos toda a vista da regiao bem urbana que de acordo com o Naoyuki e uma das mais perigosas de Kyoto, mas eu nao estava me importando, o bom era comer. Ca entre nos, Shabu-shabu nao e um prato barato, mas mereciamos. Era possivel escolher qual tipo de carne voce queria utilizar, os precos iam subindo. Escolhemos o de carne um pouco mais nobre, carne japonesa e optamos por nao utilizar o  ”beba a vontade” (nomihoudai), pois isso acrescentaria mais 1700 yens na nossa conta que ja estava cara. O tabehoudai aqui no japao e por tempo, tinhamos 90 minutos para comer o maximo de shabu-shabu que conseguissemos. Para mim foi o suficiente, para o Naoyuki tambem, certinho.

Finalmente a hora de explicar “que diabos e um shabu-shabu?” e eu poderia resumir isso num tipo de fondue com legumes e carne so que ao inves de mergulhar no oleo, mergulhamos na agua. Mas isso seria um pouco injusto, pois shabu-shabu e melhor do que isso parece ser. A agua tem um leve sabor e aroma, os legumes vem todo harmonicamente montado para ser jogado na panela no centro da mesa que fica fervendo a agua sem parar. Travessas de carne tambem cuidadosamente montadas sao colocadas para que quando voce puxa-las com o Hashi, monte uma trouxinha , jogue na agua para que ela cozinhe. Quando os legumes e a carne ficam cozidas, voce pode mergulha-las em um molhe a base de gergelim ou outro que e acido como vinagre. Alem disso voce pode turbinar os molhos com cebolinha e nabo. Meu favorito, obviamente foi o avinagrado com nabo e cebolinha.

Conforme voce cozinhao Shabu-shabu, a agua vai ficando com espuma da gordura que a carne solta e do cozimento das verduras (acelga, cogumelos, cenoura), entao existe um tipo de espumadeira bem fininha para remover esta espuma e entao a coloca dentro de um tipo de leiteira. Shabu-shabu e uma comida charmosa, valeu o preco, comi muito, pelo dia inteiro.

O dia estava acabando, o Naoyuki ja estava morrendo de sono e eu estava cansado, entao fomos para o ponto de onibus, mas como ele demoraria alguns minutos entramos no Kombini, bateu a vontade de tomar um sorvete, ia comprar Hagen-Danz porque nao e tao caro no Japao, ai ele me falou que tinha uma loja la perto, la fomos nos. Tomei sorvete de Cha com um de frutas vermelhas, uma delicia. Mais um bom papo com o Naouyuki e finalmente fomos para o ponto de onibus retornar para casa. Eu poderia pegar um onibus que me deixaria mais perto de casa, mas optei por pegar o mesmo que o Naoyuki ate Kitaoji, eu ainda deveria andar mais 15 minutos depois para chegar em casa, as pernas ja nem respondiam mais. Mas que o dia valeu a pena, isso nao tenha duvidas!

PS: um monte de detalhes do dia nao puderam ser comentados, esse post ja estava grande demais.
PS2; Ninguem esta usando o blog para fazer perguntas, podem perguntar mesmo.

Fotos:
A cara de Kyoto e seu representante Yasaka-jinja Imponencia do Chuon-in Jardim de pedra Cerimonia do Cha Heian-jinguu Caminho do Filosofo Daimonji (viva Kyoto!) Shabu-Shabu

~ por mrgamewatch em 2007, Outubro 18.

16 Respostas to “Kyoto – Camelando”

  1. Droga, fui procurar o q era o Shabu-Shabu antes de ver q vc tava explicando no parágrafo seguinte =P

  2. Texto deveras extenso, mas curti gostei dos detalhes que vc explicou. Fiquei curioso para ver esse dai, pois ja tinha visto tambem uma foto no orkut do Ale.

    Mas infelizmente vc ainda nao me convenceu, e nao vai conseguir tenho certeza, pelo menos antes de eu ir pra Kyoto, de que ai eh um lugar diferente.

    Abs

  3. Quando e que você vai na Nintendo?
    Já quero fazer a próxima seção do Blog mr.Gamewatch

    :)

    Um abraço, e se cuida por ai!

  4. como fala “catraca” em japones XD?

  5. Pior que essa eu sei. “Catraca” = kaisatsuguchi

  6. eu ja vi esse kanji ‘dai’ em um monte de lugar… que quer dizer??

    cara, essa escalada parece ter sido REALMENTE legal! acho muito foda esses tipos de coisas, tipo subir por um caminho pra chegar ao topo e ter um por do sol perfeito como recompensa.

  7. haha to aqui tentando catch up com seus posts. li tudo eim.

    gente como assim yoshi’s cookie tao caro?? afe! deve ter sido erro de quem colocou a etiqueta haha
    e meuuu essa lojinha com os brinquedinhossss…. morri so de olhar pra foto *_*

    e eu aprendi um pouco sobre a cerimonia do cha na minha aula de ceramica, ate tivemos que fazer os potes de cha no mesmo estilo. mto legal vc ter participado!

    fiquei com vontade de comer shabu-shabu *-*

    e gente eu esqueco q o naoyuki eh ALTO.

  8. nossa, vc escreve mto!
    bom, so tenho uma coisa a dizer: sapporo eh um milhao de vezes melhor que nagoya! hahahaha
    bjos

  9. Ok maya, talvez ate seja mesmo, mas duvido q melhor que Kyoto! Cada um puxa a sardinha pro seu lado ne!

  10. Ótimo post! Que pique, hein?
    Realmente um dia bastante intenso e interessante! Quando o João, o Tio, o Junior e eu participamos da Cerimônia do Chá lá na Fundação Japão também vinha um docinho, mas era um tipo de gelatina durinha, com um leve sabor alcoólico adocicado, mas este doce que vc descreveu parece bem mais saboroso!
    Bom, a experiência de subir a montanha deve ter sido realmente recompensadora! Ver o pôr do sol de um lugar assim é o máximo!

    Suas descrições realmente me agradam muito! Vc é bastante detalhista, e fico aqui imaginando tudo! Aliás, graças a isso, me deu vontade de comer “shabu-shabu” tb! Hummm…

    Realmente agora entendo pq vc estava tão cansado! Mas, sem dúvida, valeu muito a pena!

    Bjinhos!

  11. testando meu login novo, fiz uma conta no wordpress pra aparecer a foto aqui nos comments haha

  12. Que calor que está aqui!
    Não dá para não lembrar de você assim!

  13. Ahahha, finalmente li tudo!!! Se tá escrevendo muito watch, depois vc vai ter que fazer um back-up desse site para guardar como diário!!!

    Abraços

  14. Não vou conseguir comentar o que eu deveria.
    Deixo isso para os próximos posts. Mas amei as fotos, Watch! Principalmente o jardim de pedra. Esse tem um significado especial.

    Ps: A foto do castelo que tem os corvos além do telhado me lembrou muito a casa de banhos da Yubaba!
    Como deve ser bom demais passar por esses lugares maravilhosos!

  15. [...] – 13 – Farofa com Flores – 14 – Kyoto com gripe – 15 – Oosaka – Parte 1 – 16 – Oosaka – Parte 2 – 17 – Kyoto – Camelando – 18 – Kyoto – Encontro Surreal – 19 – Kyoto – Para o Sul – 20 – Kyoto em Dose Cavalar – 21 – Fim [...]

  16. eu já entrei em todas as porcarias de sites e nenhum respondeu minha pergunta mil vezes menos vc que sei lá quem é.

Deixe uma resposta